O clarinete

O clarinete é um instrumento musical de sopro da família das madeiras.

Tendo como antecedente o chalumeau, conhecido pelo menos desde a Idade Média em França, foi no ano de 1690 que o alemão Christoph Denner desenvolveu este antigo instrumento, dando-lhe mais possibilidades sonoras e técnicas. Desta transformação, resultou o clarinete.

O clarinete moderno é composto por cinco partes: a boquilha, o barrilete, o corpo superior e inferior e a campânula. O som é produzido pela vibração de uma palheta simples de madeira, provocada pela passagem do ar. Tem um sistema de chaves que facilita a técnica do instrumento, que também foi evoluindo com o tempo.

anatomia-do-clarinete

A sua família é composta por instrumentos que vão dos mais agudos, como a requinta, e o clarinete soprano, aquele que é mais usado e ao qual chamamos apenas clarinete, até aos mais graves, como o clarinete alto e corno de basset com um registo muito semelhante, e o clarinete baixo e clarinete contrabaixo, este último o mais grave de todos.

Chalumeau KLENIG, 1700 – 1720

Foto: Sofi Sykfont. https://mimo-international.com/MIMO/doc/IFD/OAI_SMS_MM_POST_141 [3 de junho de 2020].

Tendo mais de 300 anos de história, o clarinete foi introduzido na formação orquestral em meados do século XVIII, sendo o mais jovem instrumento que compõe a orquestra clássica. Foi Mozart, o compositor que mais visibilidade deu à escrita para este instrumento através do seu incontornável concerto para clarinete em Lá Maior e do quinteto para cordas e clarinete.

Desde aí, o clarinete foi assumindo um papel cada vez mais preponderante na escrita orquestral, ao mesmo tempo que cada vez mais compositores dedicavam concertos ao instrumento. Alguns exemplos são, para além de Mozart, Bernhard Crusell, Franz Krommer, Karol Kurpinsky, Carl Stamitz, Louis Spohr, Carl Maria Von Weber, Leonard Bernstein, Aaron Copland, Claude Debussy, entre outros.

Devido à sua versatilidade sonora, dinâmica e tendo uma grande amplitude entre registos, o clarinete afirmou-se em vários géneros musicais como a música erudita, o jazz, a música tradicional de vários países, tendo também um papel fundamental nas bandas que surgem com mais evidência a partir da segunda metade do sec. XIX.

Em Portugal, Loures teve um papel primordial na história do clarinete do sec. XX, tal como na evolução dos seus instrumentistas. Clarinetistas como o maestro Marcos Romão dos Reis Jr. (1917-2000), maestro António Saiote, Jaime Carriço ou Luís Gomes, foram sendo, ao longo destes últimos anos, as grandes referências quer nacionais, quer internacionais deste instrumento. Ao mesmo tempo, pelas suas carreiras internacionais, divulgaram e consolidaram a escola do clarinete em Portugal um pouco por todo o mundo.

Atualmente, Loures continua a ser uma referência no ensino e divulgação do clarinete através das suas iniciativas pedagógicas e concertos regulares sob a égide do Loures, Capital do Clarinete, continuando assim a escrever mais capítulos na história do instrumento.